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Bancos e cripto: de "fraude" a serviços de custódia numa década
Dez anos atrás os chefes dos maiores bancos chamavam o bitcoin de fraude. Hoje os mesmos bancos oferecem produtos cripto aos clientes. A virada não é ideológica - é econômica.
O que quebrou o gelo
Três forças. A demanda dos clientes: quando as divisões de wealth perdem clientes ricos para as corretoras cripto, a ideologia acaba. A clareza regulatória: ETFs, regimes de licença e regras contábeis tiraram o risco de carreira dos banqueiros. A concorrência: assim que o primeiro banco sistêmico lançou custódia, os demais ficaram sem escolha.
O que os bancos fazem de verdade
- Custódia - armazenamento para fundos e corporações: o papel mais compreensível para um banco.
- Acesso a ETFs e produtos estruturados - exposição sem tocar no próprio ativo.
- Tokenização do que é seu: depósitos, fundos, repo em redes privadas e públicas - blockchain como trilhos de liquidação, com o banco continuando intermediário.
- Infraestrutura de stablecoins: contas de reserva dos emissores, moedas próprias de consórcios.
Note a assimetria: os bancos tiram da cripto os trilhos e as taxas, não a filosofia. A descentralização na versão deles termina numa blockchain permissionada com whitelist. Para o mercado é altista mesmo assim: cada produto bancário é mais um cano para o capital. Mantemos a crônica na seção.
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